Pergunte pra uma pessoa o que ela faz e provavelmente ela vai dizer onde trabalha. “Eu trabalho com seguros”, ou até “Eu trabalho na Porto Seguro”.

 

É claro que a maioria das 15.000 pessoas que trabalham na Porto Seguro não fazem nada de seguros propriamente. Eles fazem a vigia do prédio 7, atendem o telefone ou fazem design gráfico.

 

A maioria das pessoas foram treinadas para chegar ao trabalho buscando familiaridade e competência. Para trabalhar com pessoas familiares, fazendo tarefas familiares, recebendo feedback familiar de um chefe familiar. Competência é reconhecida; colorir dentro das linhas é o que fomos ensinados desde o prézinho.

 

As pessoas continuam fazendo um trabalho ruim (e realmente nocivo) por um bom tempo porque parece familiar. Legiões de pessoas continuam em mercados decadentes porque parece familiar.

 

O motivo da Kodak ter fracassado, aliás, não tem nada a ver com estratégia corporativa (os diretores viram a mudança chegando) e nada a ver com a tecnologia (os cientistas e engenheiros já tinham garantido as patentes para as câmeras digitais logo no começo). A Kodak fracassou porque era uma empresa química e burocrática, cheia de pessoas ansiosas para fazerem a mesma coisa que tinham feito ontem.

 

Mudança é o desconhecido.

 

Mudança cria incompetência.

 

Na face da mudança, as primeiras perguntas que os líderes devem fazer são, “Porque as pessoas vieram trabalhar hoje? Eles se inscreveram para fazer o que?”

 

Por isso que é tão difícil mudar o sistema escolar. Não é porque os professores e gestores não se importam, eles se importam! É porque não foi para “mudar o sistema escolar” que eles se inscreveram.

 

A solução é tão simples quanto difícil: Se você quer criar uma organização que floresce na mudança, contrate e treine as pessoas para fazer o paradoxal: Para descobrir que o desconhecido é o familiar confortável que eles buscam. Os esquiadores gostam de descer a montanha quando está frio, os mergulhadores gostam de se molhar. Esse é o familiar confortável deles. Talvez você e a sua equipe possam mudar sua visão da mesma maneira.

 

Artigo original: http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2017/05/in-search-of-familiarity.html

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